quinta-feira, 15 de junho de 2017

a gente sempre acha que
: fazer poesia :
nos transforma em libélula

- são trinta mil lentes cada olho
desconfiando das vistas desse real nada inócuo -



arrabalde da vida
me desloca em meandros

veja:
todo cerne-existência
arrepara bonito
não fixados nas vistas

faz meio-no-dentro
enxergando nadinho
no que sendo
das têmporas



quarta-feira, 14 de junho de 2017

[ para que o coração não se abafe -
ou "quando a medida de algo tem quina-ponta que não se encaixa" ]

não adianta
é vazante

fará do bolso
gargalho fino
para passe falho
miúdo
esguio
de quando saber
percepção nova
para que colheita seja fresca próximo verão

virou foi lado
para tentar ser encaixe
- ainda que incerta -

tinha ponta
tinha bico
tinha falha geodésica
fechando gargalo de passagem
retina

nada sabendo abandonar
de quando o que vem chega por mãos
- já que apego fecha punho firme
e de abandono não fica
- mesmo que em quando é vista de pequenas brechas entre dois dedos -
ajuntada em três, quatro, cinco,
amontoando em mão inteira
| seja lá fechada,
percebo por moinhos as riscas-palavras |

apalpa
arrecebe
- corpo todo -

e na abstração do pouco conseguido
só pelo que havia sido de olhar
embarcagora
num infinito
que de nem eu nem tu possa 'inda saber

fincou foi âncora
subtraída de garras-mãos
pra nunca mais
de²bandada
sair-chegar continente


segunda-feira, 12 de junho de 2017

SOÇOBRO

traduzo um oriente
desembocando
- lado pendente -
meu esquerdo
como que virando costas sul mundo

parada
na boca do que chamamos esquina
atravesso
por entre seus glóbulos
- quinados batente de mim,
ainda que curva transversada
quando não encontramos ouvido
{ daqueles riscos traçados seus dedos em nódulos
enquanto audição não soma+mais as palavras
e²scuta se graça interno-e²xterno }

| fixos
epidérmicos
ladinho pequeno
a dizer muito mais
do que nunca corpos repararam |

faz de mim um icebergue
do tudo afundado nunca ousado dizer
mas apresentando toco valente
arrebitado
sabendo sentido de ser sobreimerso

- ainda que
| m u i t o |
pesando por baixo



quinta-feira, 1 de junho de 2017

envolvimento com as águas

não é na
insegurança de pés
caminhar pedras

[não sendo sobre
posto que eu
beira-andada
nada
há sobreposição;

- e se pedra por si só
não se move
justo é compreender
que no posto de
| caminhar pedras |
quem se desloca é
_sempre_
sujeito do próprio andar ]


terça-feira, 16 de maio de 2017

[ de golpe visto ]

1.

eu vi o golpe tacar pedras nas janelas
era feito de carcaça branca
alva cabeleira se escondendo por trás de uma careca

eu vi o golpe adentrar a justiça
palácio convidando meninos pretos
em chinelos e mangas nas mãos
a bater em retirada

eu vi o golpe nas capas revistas
o olho rápido vendo-a exposta em banquinha
o pensar numa única frase-e-imagem
- com quantas capas se faz um imaginário-nação?

eu vi o golpe pra mais de um ano passado
o povo entrando em trens todo-dia
a vida - tentada -
como se nada alterada estivesse

eu vi o golpe dizer não ir embora
o golpe não convidado chegada
o golpe desferido cruzado
golpe corpos-nutridos
- tão branquinho,
graduado,
rico

eu
vi
re-
vi-
de
dum
povo
no firme
crescendo
inteiriço as
fúrias depressa 
armados no sempre
revolta, punhos e flechas
de golpes bastantes recebidos
históricos: mais de quinhentos os anos
e nós, ah se sim, ainda erguidas, ergamos
e se caso for de vergar - sabemos - vergamos
mas segredo é que não quebra: caleja-e-voltamos





sábado, 13 de maio de 2017

grita, Manoela, chama

que é quando incendeia tudo
                                   ou
chama meu nome mesmo

que há de dentro é combustão